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Fascite plantar: o que é, como prevenir e tratar

Em um primeiro momento, o nome fascite plantar pode até causar estranheza, mas os efeitos desse problema são mais conhecidos do que você possa imaginar. A seguir, vamos tirar as principais dúvidas relacionadas a esse processo inflamatório que atinge muitas pessoas, causando incômodos e até dificuldade para andar. Confira!

fascite plantar

Onde é a dor da fascite plantar?

A fascite plantar é um processo inflamatório ou degenerativo que afeta a fáscia plantar, que nada mais é do que um tecido fibroso e pouco elástico que recobre toda a musculatura da sola do pé, desde o osso calcâneo até os dedos.

Por ter a capacidade de amortecer e distribuir impactos, a fáscia plantar ajuda a manter a curvatura do pé firme no chão. Porém, esse tecido pode sofrer microtraumatismos ou até um estiramento, que são as principais causas da fascite plantar.

Como dissemos, essa nomenclatura não é muito conhecida, porém, no consultório dos médicos especialistas, esse problema é muito comum, principalmente entre pessoas que trabalham em pé ou que praticam caminhada ou corrida com frequência.

Apesar disso, é válido ressaltar: a fascite plantar não atinge somente esses dois públicos. Na verdade, qualquer pessoa pode desenvolver essa inflamação. Por isso, é importante tomar alguns cuidados para preveni-la.

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Como evitar a fascite plantar?

Alguns hábitos simples do dia a dia podem fazer toda a diferença para a prevenção da fascite plantar. Confira alguns deles e comece a colocá-los em prática o quanto antes parar evitar as típicas dores dessa inflamação:

  • Evitar o sobrepeso;
  • Alongar os músculos da parte inferior do corpo antes de iniciar qualquer atividade física e também após encerrá-las;  
  • Fazer exercícios para fortalecer a musculatura dos membros inferiores e dos pés;
  • Praticar atividade física com a orientação de um profissional;
  • Nunca aumentar a intensidade dos treinos de forma abrupta;
  • Utilizar, no dia a dia, calçados adequados, evitando saltos muito altos e sapatos largos ou apertados demais. Sola muito fina ou gasta também pode ser prejudicial;
  • Colocar palmilhas sob medida para corrigir ou ajustar as alterações biomecânicas.

Como identificar a fascite plantar?

Como você deve ter percebido, é totalmente possível evitar os incômodos da fascite plantar. Mas, e se você já tem dores no calcanhar, como identificar se a origem do problema está na inflamação da fáscia plantar ou não?

Nesses casos, é importante analisar o que você está sentindo. Isso porque, quem sofre com esse problema costuma sentir dores fortes na planta dos pés, principalmente na região mais interna do calcanhar. Esse incômodo é mais intenso pela manhã, quando os primeiros passos são dados, mas alivia ao longo do dia com o caminhar.

Existem também outros sintomas que estão associados à fascite plantar, como: 
– dor para apoiar o pé no chão para se levantar;
– tensão na região do arco plantar;
– inchaço e vermelhidão.

Além de ficar atento a todos esses sintomas, para identificar a fascite plantar também é muito importante buscar a ajuda de um médico especialista para um diagnóstico e tratamento adequado.

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Qual a diferença entre esporão e fascite plantar?

O esporão é um tipo de inflamação que pode facilmente ser confundindo com a fascite plantar, afinal, as duas patologias afetam a mesma região dos pés e causam sintomas muito parecidos.

Dessa forma, o que difere esses dois tipos de problemas é justamente a sua origem: enquanto a fascite ocorre em virtude de uma inflamação na fáscia plantar, o esporão do calcâneo é resultado do crescimento anormal de um pequeno segmento de osso do calcanhar.

Os sintomas também são muito parecidos, já que o esporão causa uma dor na sola do pé, na região onde o osso se forma. A diferença é que, nesse caso, estamos falando de uma dor aguda, em forma de pontada, que piora ao caminhar, correr ou saltar.

Fascite plantar tem cura?

De forma geral, a maioria dos tratamentos para fascite plantar evolui bem, permitindo que os pacientes voltem a ter uma vida normal em alguns meses. Para isso, é necessário seguir rigorosamente as orientações médicas.

A alteração do estilo de vida costuma ser uma delas. Sendo assim, pessoas que praticam atividades físicas, por exemplo, podem ser orientadas a suspender os exercícios em períodos de dor aguda, a fim de diminuir a pressão exercida sobre a articulação. 

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A utilização de palmilhas ortopédicas também pode ser uma alternativa para aliviar as queixas causadas pela inflamação da fáscia plantar, assim, como a fisioterapia e as ondas de choque, que podem trazer ótimos resultados para o tratamento.

Além de todas essas alternativas, alongamentos e compressas de gelo também são ótimas alternativas para casos mais leves de fascite plantar. Já para quadros mais severos, pode ser necessário recorrer ao procedimento cirúrgico – embora esse tipo de intervenção seja mais raro para o tratamento dessa inflamação, uma vez que as demais alternativas de tratamento costumam apresentar melhoras significativas.

Quem está com fascite plantar pode fazer caminhadas?

A prática de atividades físicas é muito benéfica para a saúde. Para pacientes com problemas na fáscia plantar que estão acima do peso, ela é ainda mais necessária. No entanto, como já sabemos, a caminhada pode contribuir para o agravamento dessa inflamação – devido à  pressão aplicada sobre a articulação do calcanhar. Dessa forma, a melhor alternativa é buscar por outras modalidades de baixo impacto, como natação e ciclismo, por exemplo. Assim, é possível evitar o agravamento da fascite plantar e, ao mesmo tempo, combater o sedentarismo.

Referências
[1] Plantar fasciitis – UpToDate
[2] Diagnosis and treatment of plantar fasciitis – American Academy of Family Physicians

Ortopedista - CRM/SP 146.874 | Site | + artigos

Médico formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora - MG, inscrito no CRM/SP 146.874. Fez residência médica em Ortopedia e Traumatologia pelo Hospital Ipiranga - SP (RQE 51757), é membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (TEOT 13625). Fellowship em Cirurgia de Ombro e Cotovelo pela Faculdade de Medicina do ABC - SP, também é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Ombro e Cotovelo.


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