Epicondilite lateral e medial: o que é, diferenças e tratamento

Autor(a): Dr. Mauro Choi

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Se você não tem nenhum problema nos cotovelos, provavelmente nunca ouviu falar sobre a epicondilite. No entanto, se sofre com dores ou outros tipos de sintomas nessa articulação, é possível que já esteja familiarizado com os termos epicondilite lateral e medial.

Estando por dentro ou não do que é essa condição e quais são os seus efeitos para a saúde do cotovelo, a seguir, você terá a oportunidade de tirar todas as dúvidas sobre esse assunto. Por isso, acompanhe a leitura!

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O que é a epicondilite?

Antes de apresentar as diferenças entre o caso lateral e o caso medial, é importante saber o que exatamente é a epicondilite. Para isso, vamos entender como é a anatomia do cotovelo.

Aparentemente, essa pode ser apenas uma articulação que parece uma dobradiça, mas, na verdade, o cotovelo é muito mais complexo do que isso. Além de permitir dobrar o braço, ele possui uma importante interação com o punho e o antebraço.

Essa estrutura é formada por articulações, ligamentos, tendões, músculos, nervos, vasos sanguíneos e três ossos: o úmero, a ulna e o rádio. Na parte inferior do úmero existem saliências ósseas, que são chamadas de epicôndilos.

epicondilite lateral

Cada cotovelo possui dois epicôndilos: o lateral, ou seja, que está localizado do lado de fora da articulação, e o medial, que fica na região interna do cotovelo. É exatamente nessas estruturas que nascem os tendões e os músculos que vão dar movimento ao antebraço e à mão – o que significa que, quando apresentam qualquer tipo de problema, os epicôndilos não afetam apenas a articulação, mas todo o funcionamento do braço.

Agora que você já conhece a anatomia do cotovelo, podemos avançar na explicação e esclarecer que a epicondilite nada mais é do que a inflamação do epicôndilo. Sendo assim, a principal diferença entre a epicondilite lateral e medial é se ela acomete o epicôndilo externo ou interno da articulação.

A seguir, vamos falar especificamente sobre cada uma delas.

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Epicondilite lateral: características

Além de ser muito mais recorrente do que a epicondilite medial, a epicondilite lateral é também a afecção mais comum do cotovelo, segundo um estudo publicado pela Revista Brasileira de Ortopedia.

Essa condição acomete de 1% a 3% da população e atinge, normalmente, indivíduos entre os 35 e 60 anos de idade. Além disso, é comum que ela ocorra mais em homens do que em mulheres e que afete o braço dominante – isso porque a epicondilite lateral está diretamente relacionada aos movimentos repetitivos realizados pelo membro ao longo da vida.

Durante muito tempo, essa doença foi conhecida como “cotovelo do tenista”, justamente porque os movimentos realizados por quem joga tênis contribuem para o desenvolvimento da epicondilite lateral. No entanto, é cada vez mais comum ver registros desse problema em pessoas que não praticam esse esporte, por isso essa denominação está caindo em desuso.

Dentre os principais sintomas causados por essa condição, destacam-se: dor e sensação de queimação no cotovelo; rigidez ao esticar o braço; inchaço e sensibilidade na articulação; dor que irradia para o antebraço e pulso; perda de força no braço, o que dificulta a realização de alguns movimentos simples do dia a dia, como segurar um copo d’água, por exemplo.

Epicondilite medial: características

Embora seja menos comum, o epicôndilo localizado na parte interna do cotovelo também pode sofrer uma inflamação ou degeneração em virtude dos movimentos repetitivos realizados ao longo dos anos ou ainda em decorrência de um único evento traumático.

Pessoas que praticam alguns tipos de esportes, como lançamento de dardos, boliche, beisebol e golfe, estão mais suscetíveis a sofrer com esse problema, tanto que a epicondilite medial é conhecida também como “cotovelo do golfista”. Mas é claro que outras atividades, principalmente as laborais, também podem desencadear essa inflamação.

Quando ocorre, a epicondilite medial causa dor na região interna do cotovelo, que pode irradiar para o antebraço, e sensação de falta de força para realizar alguns movimentos, como abrir uma torneira ou dar um aperto de mão. Além disso, em alguns casos, esse problema pode causar ainda o formigamento do antebraço e de alguns dedos.

Existe tratamento para a epicondilite lateral e medial?

Tanto a epicondilite lateral quanto a epicondilite medial podem ser tratadas de forma conservadora. Para os dois tipos de problema, as recomendações são: fazer compressas de gelo na região inflamada, interromper as atividades repetitivas para que o cotovelo possa repousar e se regenerar, bem como aplicar pomadas ou tomar medicamentos anti-inflamatórios.

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Além disso, há ainda outras alternativas conservadoras para o tratamento da epicondilite lateral e medial, como sessões de fisioterapia, infiltração de corticóides, aplicação de ondas de choque extracorporal e também o uso de órteses para o cotovelo, que aumentam a estabilidade dos tendões e alivia os sintomas da inflamação.

O tratamento para a epicondilite lateral e medial ocorre de forma lenta. Porém, se o paciente não notar melhoras em seu quadro depois de alguns meses, o ortopedista pode recomendar a realização de uma cirurgia.

O procedimento cirúrgico é realizado por meio de uma artroscopia (ou seja, uma técnica minimamente invasiva) e consiste em fazer a limpeza do tendão ou, em casos mais graves, retirar toda a parte doente, sem comprometer o movimento do braço do paciente.

Afinal, qual a principal diferença entre a epicondilite lateral e medial?

A epicondilite lateral e medial são tratadas da mesma forma e possuem a mesma causa. Sendo assim, as principais diferenças entre os dois tipos de inflamação estão no epicôndilo que é atingido por esse problema e também em alguns sintomas, que embora sejam parecidos, podem variar de acordo com a área do cotovelo que está lesionada.

Apesar das semelhanças entre essas duas inflamações, é muito importante ter um diagnóstico correto sobre qual a origem da dor. Por isso, o indicado é sempre buscar um ortopedista, confirmar qual epicôndilo de fato está comprometido e, assim, iniciar o tratamento adequado para a epicondilite lateral e medial.

1. Miyazaki AN, Fregoneze M, Santos PD, et al. Avaliação dos resultados do tratamento artroscópico da epicondilite lateral. Revista Brasileira de Ortopedia. 2010;45:136-140. doi:10.1590/S0102-36162010000200005
2. Epicondilite Lateral. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Published January 31, 2016. https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/epicondilite-lateral/

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