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Autismo: 3 sinais importantes para um diagnóstico e tratamento precoce

Antes de mostrar os três primeiros sinais para diagnosticar o Autismo, também definido como Transtorno do Espectro Autista (TEA), é preciso entender primeiro do que se trata. 

O TEA é um transtorno do desenvolvimento neurológico permanente. Em outras palavras, não há cura.  

No entanto, não é preciso se apavorar com o diagnóstico, pois há tratamentos que suavizam os sintomas, em seus variados graus de funcionalidade, o que é capaz de criar independência e qualidade de vida tanto da criança, quanto da família. 

Sinais iniciais do autismo 

Mãos segurando uma fita de quebra-cabeça para conscientização do autismo

Logo nos seus primeiros meses de vida, bebês já podem apresentar comportamentos de alerta, mas, na maioria dos casos, os sinais do autismo só são identificados entre os 12 e 24 meses.  

Para pensar em TEA, deve haver a presença de alterações nos três âmbitos: comportamental, social e da comunicação.  

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Embora a intensidade seja variável de pessoa para pessoa, é isso que dá ao autismo o termo “espectro”, que nada mais é do que a representação de intensidades.  

Isso acontece porque, ao todo, há vários níveis de manifestação e comprometimento, mas, resumidamente, ele pode ter até três graus de funcionalidade: baixo, médio e alto.  

Os 3 principais sinais do autismo 

1. Alterações sociais:  

Menino autista e cuidador
  • resistência ao toque e carinho;  
  • olha pouco nos olhos (pode ser observado durante a rotina do bebê, na amamentação, banho e troca de fraldas);  
  • mostra pouca reação e expressão – por isso algumas vezes o autismo é relacionado a falta de empatia, quando na realidade o autista tem dificuldade em decifrar a expressão corporal e facial e por consequência não responde adequadamente; 
  • não aponta para objetos para chamar atenção, parece estar no “mundo da lua”. 

2. Alterações de comunicação:  

Criança sentada no chão
  • atraso na fala (perceptível aos 18 meses, principalmente quando não há tentativa de outro tipo de comunicação);  
  • não atende pelo nome (como exclusão deve haver investigação de déficit auditivo); 
  • repete palavras fora contexto; 
  • raramente iniciam uma conversa ou gostam de falar apenas assuntos específicos. 

3. Alterações comportamentais: 

Menino triste gritando com brinquedos espalhados, criança estressada
  • balança o tronco para frente e para trás;  
  • bater as mãos próximo ao rosto como se estivesse se abanando (flapping);  
  • preferência clara por rotinas fixas, quando algo muda no dia entra em crises (vistas como “birras”);  
  • os brinquedos não exercem função como todo, por exemplo não faz o carrinho andar, mas gosta de girar a roda – tem preferência por movimento. 
  • parece não ter noção do perigo, pode bater em locais e não relatar dor ou pode ser sensível demais ao toque e chorar, por exemplo; 
  • pode ser sensível a luzes ou sons fortes. 

Diagnóstico do autismo 

O diagnóstico deve ser feito antes dos 2 anos. No entanto, infelizmente ele costuma acontecer de forma tardia, em média aos 4 ou 5 anos de vida. 

É importante lembrar que não há exame de sangue ou de imagem que diagnostica o TEA. Isso porque ele é exclusivo através da observação e aplicação de instrumentos validados pela comunidade científica. Ou seja, é um diagnóstico apenas clínico.  

Por conta deste motivo, em abril de 2017 foi sancionada a Lei n. 13.438, que torna obrigatório a realização, em consulta pediátrica, de uma avaliação formal do neurodesenvolvimento a todas as crianças nos seus primeiros dezoito meses de vida.  

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Para a triagem de autismo, o teste, recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, é o M-Chat R aplicado pelo pediatra na consulta de 18 meses. A partir disso, a criança que apresentar uma pontuação de risco deve ser encaminhada para avaliação de neuropediatra ou psiquiatra infantil. 

Causa do autismo 

Pode-se dizer que o TEA é causado por uma combinação de fatores genéticos e ambientais. Apesar de claramente importantes, os fatores genéticos não são determinantes.  

Estudos mostram que eles são influenciados por fatores de risco ambiental, como, por exemplo:  

  • Idade avançada dos pais;  
  • negligência extrema dos cuidados da criança; 
  • exposição a certas medicações durante a gestação; 
  • o nascimento prematuro;  
  • baixo peso ao nascer. 

A importância de iniciar o tratamento mesmo antes de um diagnóstico fechado 

Sim, isso mesmo! Quando é detectado qualquer dificuldade no desenvolvimento da criança, mesmo que o autismo seja apenas uma hipótese, deve-se iniciar o tratamento com medidas de estimulação precoce, as quais são feitas por uma equipe multiprofissional: psicólogo, terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, pedagogo. 

E a justificativa para começar o tratamento precoce consiste no fato de que os primeiros “mil dias” da criança é a fase mais importante para seu desenvolvimento físico e mental, e tudo que for estimulado e tratado nesse período tem mais chances de ser consolidado e aprendido. 

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Muito se ouve falar na frase popular “cada criança tem seu tempo”, mas é preciso respeitar os limites pré-definidos da idade de cada marco, já que atrasar a estimulação significa perder o período ótimo do aprendizado da criança.  

Tratamento específico  

Cada criança com autismo apresenta necessidades individualizadas, que estão de acordo com a sua funcionalidade, dinâmica familiar e a quantidade de recursos que pode ser oferecido. Portanto, uma avaliação terapêutica personalizada irá permitir um bom plano de ação.  

Dentre as modalidades terapêuticas específicas, destacam-se: Modelo Denver de Intervenção Precoce para Crianças Autistas, Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e o Método TEACCH. 

A tecnologia também está presente, o Jade Autism é um software brasileiro já validado e reconhecido mundialmente, disponível em 4 línguas e com mais de 80 mil usuários.  

Este aplicativo estimula o desenvolvimento cognitivo, memória, raciocínio, habilidade e desempenho, além de gerar relatórios para os terapeutas da criança.  

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Alimentação 

Outro ponto importante que vale a pena ser citado é a alimentação para essas crianças. Muitas vezes, elas possuem uma seletividade alimentar significativa, bem como predisposição a alergias, que devem ser avaliadas pelo pediatra e nutricionista.  

Por mais que sejam noticiadas alguns benefícios com dietas restritas de glúten, leite de vaca e caseína, ainda não há comprovação e nem são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Pediatria, pois tais dietas expõem a outros prejuízos nutricionais que podem comprometer o neurodesenvolvimento da criança.  

Autistas são indivíduos únicos e singulares, não podemos dizer que todos vão se desenvolver da mesma forma. Mas muitos conseguem ter rendimentos extraordinários. Em casos específicos, até mesmo acima da média de pessoas neurotípicas – o hiperfoco é uma característica do espectro. Hoje, empresas abrem processos exclusivos para dar oportunidade e buscar por profissionais. Então, se trabalhado e direcionado da forma certa, essas pessoas podem fazer trabalhos incríveis. Exemplos disso são Einstein e Newton, que mudaram o mundo e eram autistas

RONALDO COHIN, CRIADOR DO JADEAUTISM

Tratamento com remédios 

Os medicamentos só são necessários para controle de quadros específicos que interferem negativamente na qualidade de vida, como: comportamentos de irritabilidade, impulsividade, agitação, agressividade e destrutividade.  

Dia mundial da conscientização do autismo 

É no dia 02 de abril que é celebrado o dia mundial da conscientização do autismo. Neste dia, vemos espalhados pelo mundo a fora uma fita enlaçada e estampada de quebra-cabeça colorido, ele foi usado pela primeira vez em 1999 pela organização sem fins lucrativos Autism Society, onde: 

  • O quebra-cabeça simboliza a complexidade do transtorno; 
  • as diversas cores representam as diferentes pessoas afetadas pelo autismo diariamente, embora também seja usada a fita azul, pela incidência maior nos meninos; 
  • o brilho que a fita carrega simboliza a esperança. 

Casos de autismo no mundo 

O autismo se manifesta igualmente em indivíduos de diversas etnias ou raças e em todos os grupos socioeconômicos. Mas, sua prevalência é 4x maior em meninos do que em meninas. 

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A estimativa é que existam 70 milhões de pessoas no mundo com autismo, sendo 2 milhões delas no Brasil. Porém, não existem dados oficiais sobre isso aqui, diante disso em julho de 2019, foi atendida à necessidade da comunidade autista e com reconhecimento da sua importância, o Censo do IBGE incluiu dados específicos sobre autismo já em 2020. 

Diagnóstico não é destino 

Conselheira sorridente segurando fotos durante reunião com jovem paciente com autismo

Aos poucos, o mundo vem abrindo as portas para o autismo. É importante que nosso olhar seja direcionado a esta causa, que leis sejam protetivas, que os diagnósticos sejam realizados para que tão logo o início dos tratamentos multidisciplinares aconteça.  

Só assim a potencialidade dessas crianças será atingida ao máximo, dando-lhes, além de autonomia e qualidade de vida, um futuro mais inclusivo e respeitado. 

Bônus – o autismo na mídia 

Para entender mais sobre o TEA, também podemos encontrá-lo retratado em diferentes mídias. Pensando nisso, separamos 6 filmes e séries, além de um Gibi, que conscientizam sobre o autismo.  

Séries 

  • The Good Doctor: Dr. Shaun Murphy, um jovem autista que foi aceito como residente em um dos mais renomados hospitais dos Estados Unidos. 
  • Atypical: Sam, um autista adolescente, numa jornada de autodescoberta e independência. 
  • Farol das Orcas: um garoto autista que não interagia ou se interessava por algo, assisti um documentário sobre orcas e se fascina. Sua mãe e ele saem em busca de conhecer o biólogo do filme.  

Filmes: 

  • Fixing Luka: um curta de animação baseado na vida de dois irmãos reais. 
  • Vida, animada: um jovem autista que encontra seu refúgio nas animações da Disney 
  • Tudo que Quero: uma jovem autista que acha seu refúgio na leitura e na escrita 

Gibi

  • Tem lugar para todo mundo nessa turma: Maurício de Sousa, criador da Turma da Mônica, deu vida em 2003 ao personagem André, menino autista que passa a conviver com os personagens no bairro do Limoeiro. Em 2019, ele protagonizou uma revistinha só dele.

Fontes consultadas:
[1] American Psychiatric Association
[2] Sociedade Brasileira de Pediatria 
[3] JADE Autism

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Fisioterapeuta - CREFITO-3 171733F | + artigos

Fisioterapeuta formada pela Universidade de Taubaté (UNITAU), pós-graduação em Pediatria e Neonatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), pós-graduação em Desenvolvimento Infantil e Neuroaprendizagem pela Inclusão Eficiente, instrutora de Shantala pela Bebê Shantala e Consultora do Sono Infantil pelo Instituto Assessoria Mamãe (IAM).


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