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Apendicite: o que é, como identificar e quais as formas de tratamento


A apendicite é a inflamação do apêndice, que é um pequeno órgão localizado na parte inferior direita do abdômen, e possui comprimento que varia de 2 a 20 cm, com média de 10cm. Essa doença é conhecida por apresentar uma dor forte e aguda, acompanhada de enjoo, febre, vômito e perda de apetite.

apendicite

Função do apêndice 

O apêndice apresenta células linfoides, que supõem uma função imunológica na infância, no entanto, nos adultos não há função conhecida. 

Sintomas de apendicite

Como dito anteriormente, a apendicite é famosa por ter como sintoma mais comum a dor aguda. Geralmente, o início dos sintomas ocorre na região em volta do umbigo (dor periumbilical), acompanhada de náuseas e perda do apetite (anorexia). Em seguida, a dor passa a se localizar na região inguinal direita, conforme a inflamação vai se instalando.

Além disso, é comum a presença de febre (37,7 a 38ºC), coração acelerado (taquicardia) e vômitos.  

Quando esses sintomas estão presentes, a hipótese de apendicite é muito forte. Porém, outros sintomas menos específicos podem vir acompanhados, como: diarreia, obstipação, dor ao urinar (disúria), distensão abdominal, ausência de febre, ausência de perda do apetite. 

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Outras doenças que podem ser confundidas com apendicite 

  • Diverticulite colônica. 
  • Diverticulite de Meckel. 
  • Infecção urinária
  • Infecção renal (pielonefrite). 
  • Pedras nas vias urinárias (ureterolitíase). 
  • Infecção intestinal (gastroenterite) 
  • Doença inflamatória intestinal. 
  • Cisto ovariano roto ou torcido. 
  • Doença inflamatória pélvica. 
  • Endometriose. 
  • Abscesso tudo-ovariano. 

Causas 

A obstrução do apêndice foi proposta como a principal causa de apendicite, que pode ser provocada por:  

  • Massas fecais duras (fecalito). 
  • Cálculos. 
  • Vegetais ou sementes. 
  • Hiperplasia linfoide. 
  • Processos infecciosos. 
  • Tumores benignos ou malignos.  

No entanto, nem toda pessoa que tem apendicite possui obstrução no apêndice. 

Uma vez obstruído, o apêndice sofre um crescimento bacteriano excessivo, e a infecção piora nas próximas 24h. Se não tratado, o apêndice pode perfurar e lançar secreção para a cavidade abdominal, causando uma forte irritação chamada peritonite. 

Diagnóstico 

Geralmente, o diagnóstico de apendicite é feito clinicamente, quando os sintomas clássicos estão presentes. No entanto, o médico pode solicitar exames complementares para auxiliar no diagnóstico quando o quadro clínico gerar incerteza. Os principais exames pedidos são: 

Exames de sangue: hemograma e provas inflamatórias, como VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C-reativa). Os leucócitos geralmente se elevam até 18.000. Porém, a ausência de leucócitos elevados não exclui a possibilidade de apendicite. 

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Exame de urina: é usado para excluir infecção de urina simulando apendicite. 

Exames de imagem: a tomografia computadorizada do abdômen (com contraste) é o exame de imagem que traz mais certeza na investigação de apendicite. Sua desvantagem é a exposição do paciente à radiação e ao contraste, o que não ocorre com a ultrassonografia, no entanto, a ultrassonografia é menos eficiente que a tomografia para detectar inflamação no apêndice. 

Tratamento 

Tão logo seja feito o diagnóstico de apendicite aguda, o tratamento cirúrgico está indicado, assim como o uso de antibióticos. 

A técnica cirúrgica adotada é a videolaparoscopia na maioria dos casos. Essa técnica se popularizou nos últimos 10 anos e se tornou mais comum que a técnica clássica de incisão de McBurney (pequena incisão na região inguinal direita). 

A videolaparoscopia, quando comparada com a técnica clássica (incisão de McBurney), apresenta algumas vantagens, como: 

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  • Menor tempo de internação. 
  • Retorno mais rápido ao trabalho. 
  • Menor taxa de infecção perioperatória. 

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum no mundo, por isso é necessário se atentar aos sinais e não demorar para procurar por atendimento médico. 

Referências 
[1] Management of acute appendicitis in adults – UpToDate 
[2] Emergências Cirúrgicas (Santa Casa de São Paulo): Editora Atheneu, 2012. 

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Estudante de jornalismo da Faculdade Cásper Líbero, apaixonada por informar sobre saúde e qualidade de vida. Colabora com o Fale Saúde na revisão e criação de conteúdo juntamente com a equipe de médicos editores.

Médico - CRM/SP 157.767 | + artigos

Médico formado pela Santa Casa de São Paulo desde 2012, possui mais de 7 anos de experiência. Especialista em anestesiologia pela Santa Casa de S.J. Rio Preto, com Título de Especialista em Anestesiologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) - RQE 65.029.


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