Apendicite: o que é, sintomas e tratamento

Revisão clínica: Dr. Fernando Pereira

Revisado:

Apendicite é a inflamação de um pequeno órgão localizado na primeira porção do intestino grosso, conhecido como apêndice.

O comprimento do apêndice varia de 2 a 20 cm, com média de 10cm.

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É uma condição que pode causar dor muito forte e aguda no lado direito do abdômen, geralmente acompanhada de enjoo, vômitos, febre, e perda de apetite.

Apendicite ocorre com mais frequência nas pessoas entre 20 e 30 anos, e atinge mais os homens do que a mulheres.

Para que serve o apêndice 

O apêndice serve para ajudar na imunidade, pois é um órgão que possui muitas células de defesa, chamadas de células linfoides.

Outra função do apêndice é repor a flora intestinal após um quadro de diarreia.

Até recentemente, o apêndice era considerado sem função no corpo humano, a ponto de ser chamado de órgão rudimentar.

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No entanto, nos últimos anos, vários estudos têm mostrado a importância apêndice para o desenvolvimento e preservação do sistema imunológico intestinal.

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Sintomas de apendicite

A característica mais marcante da apendicite é uma dor muito forte e aguda, que leva a pessoa a procurar ajuda médica imediata.

Geralmente, os sintomas começam na região em volta do umbigo (dor periumbilical), acompanhada de náuseas e perda do apetite (anorexia). Em seguida, a dor passa a se localizar na região inguinal direita, conforme a inflamação vai se instalando.

Além disso, é comum a presença de febre (37,7 a 38ºC), coração acelerado (taquicardia) e vômitos.  

Quando esses sintomas estão presentes, a hipótese de apendicite é muito forte. Porém, outros sintomas menos específicos podem vir acompanhados, como: diarreia, obstipação, dor ao urinar (disúria), distensão abdominal, ausência de febre, ausência de perda do apetite. 

Em resumo, os sintomas de apendicite são:

  • Dor muito forte e aguda que leva a pessoa a procurar ajuda médica imediata.
  • Dor que começa em volta do umbigo e depois muda para a parte inferior direita do abdômen.
  • Náuseas e vômitos
  • Perda do apetite
  • Febre

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Outras doenças que podem ser confundidas com apendicite 

  • Diverticulite colônica. 
  • Diverticulite de Meckel. 
  • Infecção urinária
  • Infecção renal (pielonefrite). 
  • Pedras nas vias urinárias (ureterolitíase). 
  • Infecção intestinal (gastroenterite) 
  • Doença inflamatória intestinal. 
  • Cisto ovariano roto ou torcido. 
  • Doença inflamatória pélvica. 
  • Endometriose. 
  • Abscesso tudo-ovariano. 

Causas de apendicite

A obstrução do apêndice foi proposta como a principal causa de apendicite, que pode ser provocada por:  

  • Massas fecais duras (fecalito). 
  • Cálculos. 
  • Vegetais ou sementes. 
  • Hiperplasia linfoide. 
  • Processos infecciosos. 
  • Tumores benignos ou malignos.  

No entanto, nem toda pessoa que tem apendicite possui obstrução no apêndice. 

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Uma vez obstruído, o apêndice sofre um crescimento bacteriano excessivo, e a infecção piora nas próximas 24h.

Se não tratado, o apêndice pode perfurar e lançar secreção para a cavidade abdominal, causando uma forte irritação chamada peritonite.

Outro risco que a pessoa corre se não tratar a apendicite a tempo é o de infecção generalizada, uma condição médica muito grave.

Diagnóstico 

Geralmente, o diagnóstico de apendicite é feito clinicamente, quando os sintomas clássicos estão presentes.

No entanto, o médico pode solicitar exames complementares para auxiliar no diagnóstico quando o quadro clínico gerar incerteza. Os principais exames pedidos são: 

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Exames de sangue: hemograma e provas inflamatórias, como VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C-reativa). Os leucócitos geralmente se elevam até 18.000. Porém, a ausência de leucócitos elevados não exclui a possibilidade de apendicite. 

Exame de urina: é usado para excluir infecção de urina simulando apendicite. 

Exames de imagem: a tomografia computadorizada do abdômen (com contraste) é o exame de imagem que traz mais certeza na investigação de apendicite. Sua desvantagem é a exposição do paciente à radiação e ao contraste, o que não ocorre com a ultrassonografia, no entanto, a ultrassonografia é menos eficiente que a tomografia para detectar inflamação no apêndice. 

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Tratamento da apendicite

O tratamento da apendicite é feito com a remoção cirúrgica do apêndice inflamado, além do uso de antibióticos. 

A técnica cirúrgica adotada é a videolaparoscopia na maioria dos casos. Essa técnica se popularizou nos últimos anos e se tornou mais comum que a técnica clássica de incisão de McBurney (pequena incisão na região inguinal direita). 

A videolaparoscopia, quando comparada com a técnica clássica (incisão de McBurney), apresenta algumas vantagens, como: 

  • Menor tempo de internação. 
  • Retorno mais rápido ao trabalho. 
  • Menor taxa de infecção perioperatória. 

A apendicite aguda é a emergência cirúrgica abdominal mais comum no mundo, por isso é importante se atentar aos sinais e não demorar para procurar por atendimento médico. 

1. Kooij IA, Sahami S, Meijer SL, Buskens CJ, Te Velde AA. The immunology of the vermiform appendix: a review of the literature. Clinical and experimental immunology. 2016;186(1):1-9. doi:10.1111/cei.12821

2. UpToDate. www.uptodate.com. Accessed July 30, 2022. https://www.uptodate.com/contents/management-of-acute-appendicitis-in-adults?search=apendicite&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1

3. Emergências Cirúrgicas (Santa Casa de São Paulo): Editora Atheneu, 2012

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