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Conheça as principais causas de alergia na pele

A alergia na pele é um problema muito comum presente na maioria das consultas com o dermatologista. Na linguagem médica, o termo dermatite é usado para se referir a inflamação na pele causada pela alergia.

Existem diversas causas para a alergia na pele e a inflamação pode acontecer em qualquer região do corpo, como couro cabeludo, rosto, pescoço, braços, axilas, barriga, costas, região de dobras (cotovelo, joelhos etc.), pernas e até na planta do pé.

Os principais sintomas da dermatite são coceira (prurido), manchas ou placas vermelhas e inchaço (edema) e a condição é geralmente tratada por médicos dermatologistas, alergologistas ou clínicos gerais.

Dermatite de contato

Alergia na pele - dermatite de contato
Dermatite de contato tardia. Observe a pele seca, avermelhada e descamativa.

A dermatite de contato é qualquer inflamação da pele causada pela exposição direta do local ao agente responsável pela alergia.

A condição pode ser dividida em duas categorias específicas: a “dermatite de contato irritante” e a “dermatite de contato alérgica”.

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Dermatite de contato irritante

Esta é a forma mais comum de dermatite de contato. Ela é provocada por irritação direta da substância na pele e a perturbação pode ser de origem mecânica ou química. Dentre os agentes mais comuns do problema, estão:

  • Sabonetes
  • Detergentes
  • Sabão de lavar roupas
  • Alvejantes
  • Solventes
  • Ácidos
  • Plantas
  • Poeira
  • Maquiagem

Os principais sintomas da dermatite de contato são coceira, pele avermelhada, inchaço e pequenas bolinhas (vesículas) na fase inicial da alergia. Se a condição não for tratada ou se o contato com a substância causadora não for interrompido, os sinais evoluem para pele seca com rachaduras (fissuras) e muita coceira.

Além disso, a condição costuma acometer mais as mãos do paciente, o que faz com que as profissões mais afetadas sejam faxineiros, empregados domésticos, profissionais da saúde e cozinheiros.

Dermatite de contato alérgica

Diferentemente do tipo anterior, a dermatite de contato alérgica acontece quando uma substância irritante desencadeia uma reação imune, ou seja, o agente em contato com a pele ativa o sistema de defesa do corpo desencadeando uma inflamação.

Para que a reação aconteça, a exposição da pele ao agente causador da alergia não precisa ser prolongada. Assim, apenas um contato breve já é suficiente para desencadear o processo alérgico.

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Os principais responsáveis por este tipo de alergia são:

  • Níquel em joias
  • Plantas
  • Conservantes de cosméticos (formaldeído)
  • Perfumes
  • Antibióticos tópicos (que passa na pele)

Já entre os sintomas mais encontrados, estão: coceira excessiva, erupção bem demarcada na pele e vermelhidão na região onde a substância entrou em contato.

Diagnóstico da dermatite de contato

O diagnóstico da condição é feito por meio da avaliação das características clínicas (tamanho, local, coceira) das lesões na pele; da história de contato com substância alergênica; de exame de sangue e/ou exame de amostra da pele (histopatológico); e pelo não retorno dos sintomas depois do tratamento da retirada do agente suspeito.

Tratamento

O principal tratamento consiste em identificar o agente desencadeador e interromper o contato com ele. No entanto, o tratamento medicamentoso pode ser necessário para controlar rapidamente os sintomas. Se este for o caso, os remédios para alergia na pele mais comumente usados são:

  • Corticoide tópico: pomadas para alergia na pele à base de hidrocortisona, mometasona e betametasona. Seu médico saberá indicar a mais adequada para cada tipo de lesão e a concentração ideal da pomada.
  • Corticoides sistêmicos: corticoide na forma de comprimido (prednisona e dexametasona são os mais usados), que pode ser necessário em algumas situações mais graves ou quando se quer obter um alívio dos sintomas muito rápido.
  • Agentes que acalmam a pele: hidratação com aveia coloidal, loções à base de camomila e alfazema.

Dermatite atópica

Alergia na pele - dermatite atópica em região de dobra (fossa poplítea)
Dermatite atópica em região de dobra (fossa poplítea)

A dermatite atópica geralmente afeta as crianças, mas adultos também podem ser acometidos em frequência menor. É uma doença inflamatória crônica cujos sintomas diminuem com tratamento, mas que tende a voltar quando a medicação é interrompida.

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Na maioria dos pacientes, os sintomas tendem a desaparecer na fase adulta, mas uma parcela de pessoas persiste com os sinais por toda vida, precisando de tratamento contínuo.

Os principais sintomas da condição são: pele seca, muita coceira (prurido) e pele muito sensível a vários estímulos ambientais (sol, poeira, água fria ou muito quente). No entanto, as manifestações podem variar muito de acordo com a idade do paciente.

Diagnóstico da dermatite atópica

O diagnóstico da dermatite atópica é feito pela evidência de alergia na pele, coceira intensa, pele seca e por estar localizada em regiões de dobras (fossa anticubital, fossa poplítea, pescoço, tornozelos e em volta dos olhos). Além disso, outras doenças alérgicas geralmente estão associadas, com a asma.

Tratamento

O tratamento da dermatite atópica tem por objetivo aliviar os sintomas e proteger a pele de ressecamento e infecção secundária facilitada pelas fissuras. Para casos leves e moderados, ele deve ser feito com corticoide tópico, mas a escolha da potência do medicamento depende do tamanho da área envolvida, da idade do paciente e da gravidade da inflamação. As pomadas mais usadas são hidrocortisona 2,5% e betametasona 0,05%.

Dermatite por picada de mosquitos

Alergia na pele por picada de mosquito
Alergia na pele por picada de mosquito

A alergia na pele causada por picada de mosquitos é uma resposta imunológica que o corpo desenvolve na tentativa de combater a saliva do inseto. Quase todas as pessoas apresentam resposta imunológica à saliva dos mosquitos, mas apenas a minoria manifesta sintomas.

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Ao observar o local infectado, o paciente pode notar inchaço, coceira e vermelhidão. Já 20 minutos após a picada, surge um caroço firme com bolha na ponta, chamado de vesícula, e de 7 a 10 dias depois, a lesão costuma se resolver de forma espontânea.

Diagnóstico da dermatite por picada de mosquito

O diagnóstico é feito pelos achados clínicos e pela história de exposição à mosquitos. Neste caso, não há a necessidade de fazer exames de sangue, pois são pouco específicos.

Tratamento

Para o controle da coceira, os anti-histamínicos orais de segunda geração (como a loratadina), podem ser indicados, já que têm bons resultados e não costumam ocasionar sonolência no paciente.

Já para os casos em que o local da picada apresenta inchaço e vermelhidão, pode ser necessário o uso de corticoide tópico de ação moderada, como a mometasona 0,1%.

Por fim, os corticoides orais são reservados para os casos mais graves e que provocam inchaço na região do olho (impedindo a visão) e boca (impedindo o paciente de comer).

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Dermatite seborreica

Alergia no pescoço - dermatite seborréica
Alergia no pescoço. Dermatite seborréica

A dermatite seborreica é um tipo de alergia que costuma atingir bebês e adultos. Ela pode se manifestar através de uma simples caspa ou, em casos mais graves, com acometimento difuso.

Além da caspa do couro cabeludo, outros sintomas comuns são: placas bem delimitadas, escamas amareladas e gordurosas. A alergia também pode acometer a testa, as pálpebras (blefarite), axila, umbigo, embaixo das mamas e região genital e o quadro tende a piorar no inverno e em situações de estresse.

Embora seus sinais sejam conhecidos, não se sabe ao certo a causa da condição e estudos não conseguiram comprovar que o fungo do gênero Malassezia seja o desencadeador da alergia. O que se sabe, por enquanto, é que a condição acomete com frequência pessoas com HIV.

Apesar do nome gerar confusão, a dermatite seborreica não é uma doença das glândulas sebáceas, mas é chamada assim porque a alergia se desenvolve preferencialmente em regiões onde tem muitas dessas glândulas, como o couro cabeludo, as costas, dentro da orelha e na região perineal.

Diagnóstico da dermatite seborreica

O diagnóstico é feito com base nas características das lesões. No entanto, quando ele for incerto, pode ser realizada uma biópsia da pele.

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Tratamento

O principal objetivo do tratamento é reduzir os sintomas, pois a dermatite seborreica é uma doença crônica, isto é, de longa duração.

Para isto, o médico pode indicar antifúngicos e anti-inflamatórios. No primeiro caso, o mais usado é o cetoconazol xampu. Já os anti-inflamatórios mais frequentes são os corticoides tópicos (hidrocortisona 2,5% e betametasona 0,05%), que ajudam a diminuir os sintomas de coceira, vermelhidão e inchaço.

É importante que o tratamento seja mantido pelo paciente de forma intermitente, pois é comum recaídas, que fazem os sintomas voltarem.

Dermatite de estase

Alergia na perna- pele endurecida, vermelhidão e hiperpigmentação envolvendo o terço inferior da perna em um paciente com dermatite de estase
Pele endurecida e hiperpigmentação envolvendo o terço inferior da perna em um paciente com dermatite de estase.

A dermatite de estase é uma doença inflamatória que acomete as pernas de pacientes com insuficiência venosa crônica.

Os sintomas mais comuns são manchas vermelhas e placas nas pernas, que ficam cronicamente inchadas. O paciente também pode apresentar coceira leve, mas o sinal não é tão frequente. Além disso, a dermatite de estase geralmente vem acompanhada de varizes.

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Diagnóstico da dermatite de estase

O diagnóstico da dermatite de estase é feito com base na observação dos sinais clínicos, como lesões cutâneas, vermelhidão, pele muito pigmentada, inchaço e rachaduras. O ultrassom de membros inferiores também ajuda no diagnóstico, pois com ele é possível verificar se as veias das pernas têm bom fluxo sanguíneo ou não. Já os exames de sangues geralmente não são necessários para o diagnóstico.

Tratamento

O tratamento da dermatite de estase visa ao controle dos sintomas de coceira, pele ressecada e vermelhidão.

É de suma importância que os pacientes tratem a insuficiência venosa. Algumas medidas gerais que podem ajudar são: caminhada diária, perda de peso, elevação das pernas e cuidados de hidratação com a pele

Já a terapia medicamentosa, inclui drogas venoativas, como o diosmina, que atua sobre as veias melhorando a circulação do sangue. Por outro lado, as pomadas de corticoides tópicos sem aditivos (pomada triancinolona) são as mais indicadas para tratar a inflamação que gera vermelhidão, coceira e inchaço.

Dermatite por remédio

Numerosas máculas e pápulas vermelhas estão presentes neste paciente com alergia a medicação.
Numerosas máculas e pápulas vermelhas estão presentes neste paciente com alergia a medicação.

A dermatite por remédio se manifesta através de erupções cutâneas (exantema) que surgem na pele quando um remédio ou vacina causa reação adversa. Além da pele, a alergia pode aparecer em unhas, couro cabeludo e mucosas através de manchas vermelhas que costumam coçar bastante.

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Por serem muito parecidas, as manchas (exantema) na pele causadas por remédios podem ser confundidas com as manchas causadas por infecção por vírus.

Os sintomas desta alergia surgem entre 5 a 10 dias após início do tratamento, mas é possível que apareçam entre 1 a 2 dias depois do uso do remédio em pessoas que já tiveram contato prévio com o medicamento.

Diagnóstico da dermatite por remédio

O diagnóstico da dermatite por remédio é feito pelo histórico de uso de medicação, tempo de surgimento dos sintomas e características das erupções cutâneas. Com a retirada do medicamento causador da alergia, os sintomas devem desaparecer dentro de 7 a 14 dias.

Tratamento

O tratamento da dermatite por remédio consiste em retirar o agente causador e aliviar os sintomas com medicação. A coceira intensa pode ser amenizada com uso de anti-histamínicos orais (hidroxizina) associados a corticoides tópicos de alta potência (betametasona).

Urticária (vergões)

Urticária aguda em abdomen
Urticária aguda no abdômen.

A urticária ou vergão se apresenta como uma placa vermelha que gera coceira (prurido) intensa e que afeta 20% da população em algum momento da vida.

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Muitos fatores podem estar envolvidos no surgimento da urticária, e em algumas situações o agente responsável não é identificável. Entretanto, as causas mais comuns são:

  • Picada de mosquitos
  • Remédios
  • Alimentos
  • Drogas
  • Infecções

Diagnóstico da urticária

A urticária é diagnosticada a partir de um exame físico detalhado e da história clínica do paciente. O exame de sangue geralmente não ajuda no diagnóstico, embora em algumas situações ele possa ser útil para excluir outras condições clínicas.

Como os vergões da urticária podem desaparecer em 24 horas, é aconselhável tirar foto das manchas para levar ao médico no dia da consulta.

Tratamento

Para os pacientes com sintomas leves, podem ser indicados anti-histamínicos orais que ajudam na redução da coceira. Como o prurido tende a piorar à noite, os anti-histamínicos de primeira geração como a difenidramina ou hidroxizina são os mais recomendados.

Já para os pacientes que persistem com sintomas mesmo com os anti-histamínicos de primeira geração, o uso de corticoide oral como a prednisona pode ser indicado por um breve período.

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Fontes consultadas:
[1] UpToDate
[2] British Medical Journal
[3] The Journal of Clinical and Aesthetic Dermatology
[4] The Lancet
[5] The New England Journal of Medicine

Médico - CRM/SP 157.767 | + artigos

Médico formado pela Santa Casa de São Paulo desde 2012, possui mais de 7 anos de experiência. Especialista em anestesiologia pela Santa Casa de S.J. Rio Preto, com Título de Especialista em Anestesiologia pela Associação Médica Brasileira (AMB) e Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA) - RQE 65.029.


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